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© Lica Cecato 2019

73 MOSTRA DEL CINEMA DI VENEZIA LOVE FOR SALE / AMOR À VENDA

Updated: Jun 30, 2019



Bom dia leitores do MicMag.

Antes de iniciar a falar da 73 Festival de Cinema de Veneza, gostaria de fazer um preambulo. Como música e cantora, uma semana antes do festival iniciar, fiz uma gravação de Cole Porter e acabei estudando suas letras e seu comportamento dentro da conjuntura daquele momento. Uma das suas músicas famosas, que fiquei assobiando pelas ruas do Lido de Veneza, é Love for Sale – Amor à venda – que se trata de uma prostituta (ou um prostituto?) jovem, chamando alguém para dividir prazeres. Deliciosa provocação aos puritanos da época, em 1930, a composição foi considerada de mau gosto e até escandalosa, e fazia parte de um musical The New Yorkers que ficou na Broadway menos de 6 meses. Me pergunto, em relação ao atual Festival de Veneza, se é possível que exista um novo puritanismo. Me atirariam pedras se eu escrevesse sobre o Festival de Veneza dizendo que a maior parte dos filmes é feita para vender amor e ódio, que a prostituta-cinema nos chama e escraviza aos seus prazeres? Na maior parte de filmes que vi, os suicídios que no ano passado eram suicídio de pessoas que chegaram à fama, hoje são suicídios parecidos aos do século XIX ou XVIII, frutos ou de um amor platônico, ou desilusões amorosas por não assumirem a propria tendência sexual, hétero, gay, ou mesmo obcessão histérica, dada a pressão de uma sociedade que voltou a ser careta, ou por caprichos de uma história fundamentalmente moralista, enfim, gira um ar de falsa inocência, de um romantismo obscuro. Se a sofisticação e o tal do progresso em relação ao esquema social e a inocência ou a falta de tomada de posição perante a sociedade, podem ser consideradas uma dicotomia, me desperta a curiosidade uma outra dicotomia frequente: a técnica exasperada, a mais nova das tecnologias, em contraste ao retorno de um certo valor do cinema como concebido no passado, ou escolhendo velhos formatos, ou mesmo fazendo colagens de películas do cinema mudo ou ainda dando mais peso à fotografia.

Confesso que não pude evitar de assobiar LOVE FOR SALE. Amor à venda. Old love, new love, every love but true love. Velho amor, novo amor, tudo menos amor verdadeiro.


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